Estudo inédito realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Inovação em Educação Profissional do Senac São Paulo revelou que 9 em cada 10 estudantes (91,38%) dos cursos técnicos sentem-se otimistas (49,61%) ou muito otimistas (39,65%) com suas possibilidades de crescimento profissional. Na visão dos estudantes dos cursos técnicos subsequentes – destinados àqueles que já concluíram o Ensino Médio – o diploma da instituição é valorizado (34,82%) ou muito valorizado (56,56%) pelo mercado de trabalho. Já entre os estudantes do Ensino Médio Técnico integrado, 83,44% declaram ter orgulho da escola.
Estas e outras informações compõem o Panorama EPT, pesquisa que busca investigar os percursos formativos e impactos profissionais da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). O estudo, conduzido pelo Núcleo de Pesquisa e Inovação em Educação Profissional do Senac São Paulo, ouviu mais de 32 mil pessoas – entre estudantes, professores e gestores do ensino técnico – entre os meses de outubro e novembro de 2025.
“Este é um marco nos 80 anos de atuação do Senac São Paulo. O Panorama EPT inaugura uma agenda de pesquisa com potencial de identificar a transição entre formação e trabalho ao longo do tempo e reforça esse compromisso com evidências, ao permitir acompanhar, de maneira estruturada, os desdobramentos dessa trajetória no mercado”, afirma Fernanda Aparecida Yamamoto, coordenadora do núcleo de pesquisas do Senac São Paulo.
Em um momento de acentuada expansão das matrículas, o Panorama EPT busca preencher uma lacuna na produção de evidências sobre a EPT brasileira, acompanhando trajetórias e analisando como a qualificação técnica transforma percursos de vida e de trabalho ao longo do tempo.
“O contexto nacional é inédito, com uma série de políticas fomentando essa expansão: com o Fundeb, que remunera em dobro as matrículas em cursos técnicos; o Juros por Educação, que troca as dívidas dos estados por matrículas em EPT; e o novo PNE, que prevê ampliar a articulação entre Ensino Médio e formação técnica. Paradoxalmente, mesmo sendo estimulada, a EPT ainda carece de fontes de evidências sistemáticas, capazes de confirmar a validade das expectativas nela depositadas. Nesse contexto, o Panorama EPT chega em boa hora para atualizar o debate educacional”, analisa Gustavo Henrique Moraes, pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC), especialista no desenvolvimento da EPT nacional e que participou do processo de produção do estudo junto ao Senac São Paulo.
Mobilidade
As estatísticas reforçam o papel social da modalidade. Entre os estudantes de cursos técnicos subsequentes ouvidos pela pesquisa, mais de 90% são egressos da escola pública e 47,4% se autodeclararam pretos ou pardos, indicando o peso da EPT como possibilidade concreta de acesso à formação profissional e de ampliação de oportunidades para grupos historicamente negligenciados em políticas públicas de acesso à educação e ao trabalho.
Ao mesmo tempo, os dados revelam que essa confiança na formação técnica convive com obstáculos concretos: 78% revelam que a necessidade de trabalhar compromete, em algum grau, a permanência dos estudantes nos cursos subsequentes. No Ensino Médio Técnico, 86,18% declaram que se preocupam com a situação financeira de suas famílias. Entre os motivos que favorecem a permanência dos estudantes, um se destaca: 90,15% dos estudantes apontam a relação com os docentes como muito importante para a continuidade dos estudos.
Nesse contexto, a educação profissional se fortalece ao oferecer uma perspectiva real de desenvolvimento, pertencimento e projeto de vida que favorecem a aprendizagem diante da diversidade de trajetórias e realidades dos estudantes. “Na rotina escolar observamos que muitos estudantes chegam ao ensino técnico mobilizados pelo desejo de construir um futuro melhor, embora enfrentem desafios concretos, como a pressão financeira, a necessidade de conciliar estudo e trabalho e, em muitos casos, lacunas na formação anterior”, conta Fernanda.
Com caráter longitudinal, o Panorama EPT observará ano a ano os impactos da EPT sobre trajetórias educacionais, profissionais e socioeconômicas, contribuindo para qualificar o debate sobre educação para o trabalho e políticas públicas de ampliação do acesso à modalidade.
“O Panorama EPT irá permitir construir retratos relevantes da educação profissional a partir de diferentes recortes. Ao cruzar informações sobre o repertório dos estudantes entre cidades de uma mesma região do estado, conseguimos identificar onde há maior ou menor defasagem, quais são as necessidades de investimento público e como a oferta de vagas de educação profissional pode responder às demandas econômicas locais”, exemplifica Fernanda.
Com destaque para a transparência, todas as informações do Panorama EPT estão disponíveis ao público no formato de painéis de consulta interativos que permitem o aprofundamento das investigações e resumo técnico. O acesso permite investigar livremente as dimensões referentes a: “Perfil da Amostra”, “Perfil Socioeconômico”, “Cenário Escolar”, “Perspectiva de Futuro”, “Inserção Profissional”, “Fatores de Permanência”, “Hábitos de Leitura e Escrita” e “Segurança, Diversidade e Inclusão”.

